Alimentando Motores

Cada caso é um caso, tem a receita de padaria, tem a receita antiga e tem aquilo que você acha que vai ser melhor. Nenhuma está errada, mas prefiro a última opção. Motor pro seu caso, certo que muitas vezes o seu caso, e o meu, poderá e será aquela solução que muitas pessoas já usam.

Um dos primeiros upgrades que esses motores recebem é a troca do platinado pelo sistema de ignição eletrônica. Fica melhor, bem melhor, mas bem mais caro. Na verdade o platinado não é ruim. Sei de casos que os carros ficam anos sem manutenção e sei de casos de meses. Mais um caso de “cada caso é um caso”.

Brasablue – 1980

Motor da Brasablue, 1600 dupla solex 32, ignição do Gol Mi e dínamo.

O sistema de ignição da Blue é muito bom. Muitos já me disseram que é o melhor e eu acredito, mas tem que ser o original Volks/Bosch, a ignição do Gol Mi. Os “xingling” não são confiáveis. A dupla carburação é composta pelos Solex 32, originais. O restante todo original incluindo o dínamo, que funciona. Melhor um bom dínamo do que um alternador meia boca.

Esse motor foi a minha grande medida para levar o motor da White ao nível que ele está hoje. São motores normais, nenhum canhão com muita potência. Apenas o básico para pegar a estrada e andar com folga.

Brasawhite – 1977

Motor da Brasawhite, 1600 com dupla Solex 34, Hotspark e Alternador.

Quando começamos a montar a White era pra ser de baixo custo, só montar o motor e deu. Carburação simples e era isso. Mas aí apareceu uma dupla pra colocar. Depois pra dar uma equalizada no sistema colocamos um Hotspark no lugar do platinado. Era uma aposta, muito certa vale dizer. Aí depois colocamos uma bomba de óleo EMPI, com circulação externa e filtro. Mais óleo, mais lubrificação, mais desempenho.

O alternador está aí, funciona bem. Os carburadores foram envenenados, são os Solex 32 com modificações. Borboletas 34 com venturi 24,. E por último e não menos importante o radiador deslocado com a capela deslocada.

Comparando com o motor da Blue, parece um pouco mais amarrado, talvez seja um comando diferente, talvez… não sei o que tem dentro de nenhuma das duas, quando fechamos a White não me ative a detalhes. Os escapamentos são do tipo original. Poderia ser uma diferença entre elas, mas não é.

Fusca 79 – 1979

Motor do 79, 1300 com Solex 30Pic, Platinado e dínamo.

Motor original, sem modificações de giclagem e funcionando muito bem no Fusca. É um brinquedo perto dos outros, porque não tem muito segredo e isso é bom. Mantemos o platinado porque é um caso… funcionando há mais de 3 anos. Tudo muito leve. Acelerador que puxa apenas o cabo ligado em um carburador, embreagem macia e freios mais duros, com tambor nas quatro.

O rendimento é modesto, não passa trabalho, mas tem que respeitar a limitação dos 46cv originais e olha que aos 40 anos de idade eles não devem estar todos lá.

Mesmo com a baixa potência, comparando com os 1600, é muito gostoso de dirigir. Como comentei é um carro muito leve, em todos os sentidos. Até no peso mesmo, 790kg. Se fizer a relação peso/potência são 17kg/cavalo. Enquanto que na Brasília são 13kg por cv. Mais ou menos 15% a mais de peso na Brasa com 40% a mais de potência. É um salto.

Eva – 1988

Motor da Eva, 1600 com dupla Solex 34, Hotspark e Alternador.

As modificações desse motor são grandes. Mas ele já é diferente desde o nascimento. É um bloco moderno, o chamado Tork. As mudanças que fizemos começaram com a colocação de uma dupla Solex 32. Que só funcionou direito depois que trocamos a ignição “Xingling” que esquentava todo o sistema de forma absurda por um Hotspark.

Durante um bom tempo foi isso, até que trocamos a bomba de óleo que já não era original por uma da EMPI, com circulação externa. No sistema temos além do filtro de óleo um radiador. Uns 5 litros de óleo no sistema. Bobina tiramos ela da capela pra não esquentar com o próprio calor do motor.

Colocamos um escape 4×1 dimensionado que deu uma bela soltada no motor. Os cabeçotes foram trocados e também e receberam os balancins EMPI 1.1.1 com parafusos esféricos. Essas duas alterações deram um vigor extra pro cansado motor da Eva, masss….

Filtro de gasolina da EMPI trabalha junto com o normal de plástico.

Mas o motor não aguentou tantos upgrades, e foi pro saco. Tivemos que abrir e fazer ele. Nisso ganhou um miolo novo, bielas e vira no tamanho original, 69. Porém adicionamos na equação um comando W100 e também os carburadores Solex 32 com abertura de borboleta 34 e venturi 24.

Como a bomba da EMPI é bem forte colocamos um reservatório no suspiro pra catar o que acaba subindo. É muito funcional porque o que espirra de óleo e o que é condensado acabam ali. O que é muito bom pro motor no final das contas.

Item de perfumaria, o filtro de gasolina da EMPI é muito bonito, ainda que cumpra a mesma função do de plástico. Na foto mais acima da pra ver os dois.

É com certeza hoje o melhor motor que temos. Com um torque excelente. Andando nem parece uma Kombi, parece um carro normal. Como temos uma caixa de Gol BX, que tem a quarta mais longa ficou muito bom pra estrada inclusive. Aí você pensa: “tudo isso numa Kombi?”. Então… exatamente, numa Kombi. Mas é a Eva!